Pensamento Marginal
   
 
   



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Escrever é bom demais. É um escape. Isso é motivo de grande satisfação para mim. Coisas boas podem escorrer pela ponta dos dedos. É bom, também, para manter a cabeça em seu curso
devido. A minha principalmente, ela sim, pois é do tipo que gosta de sair por aí. Hoje mesmo fui encontrá-la bem longe deste pescoço. Até pelos meus sonhos ela tem fugido. Que coisa, nem eu sabia que cabeças poderiam sair por aí.



Escrito por userID: 677587026441firstName: às 11h55
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Encerras a beleza que os meus olhos procuram e minha alma suspira. Contemplo a ti e encontro paz. É a ti que minha carne deseja e meu espírito anela. É teu o meu corpo e seus desejos. Minha profunda gratidão destila da tua fronte, da tua misericordiosa fronte. Da tua barba escarlate de sangue escorre meu perfume. E das lágrimas dos teus olhos escorrem as minhas. Teu beijo é cura e pureza. Tua mão é uma rocha. Teus ouvidos são ferazes em paciência. O hálito da tua boca é puro arrebatamento. E tua voz é trovejante, profunda, uma espada cortante, um som de terrível beleza e doçura. Vai além dos céus e ressoa por todo o universo como uma música inacabada que imanta a criatura ao criador. Teus olhos, amado Jesus, são reservas inesgotáveis de eternidade e grandeza. Mais intensos do que a mais pura luz (luz da luz dos meus olhos), encanto e encontro, escondem e revelam tua sabedoria a seu tempo. Os teus olhos, amado Senhor, são amor, ternura e compaixão. São vitrais do teu ser, daquilo que tu és: verdade e beleza.



Escrito por userID: 677587026441firstName: às 17h17
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O segredo das gerações

 

  

     - Corre! Foge!Usa as tuas forças para sair daqui. Tudo isso é ilusão. Vê essas paredes de mármore? Na verdade, elas são fantasia, só aparência. Não! Não fiques aqui. Se eu pudesse já teria ido, mas acabei me deixando enganar.

            Corre! Vai logo! A verdade está a tua espera. Inclina-te. Vai rente ao chão e conseguirás. A abertura é muito estreita. Não deves levar nada contigo. Nada. Tira tudo que pode pesar ou que pode te prender. Nem bens nem presunção deves levar. Põe somente tua túnica branca, aquela lavada pelo Sangue, e vai! Foge!

            Olha para mim. Olha como estou! Cheio demais. Muitas coisas tenho comigo. Já não posso mais passar e meus olhos não vêem mais o chão, nem o pequeno, o simples. Vai para que não fiques cego com eu.

            Ah, esse teu coração é um tesouro. É como tudo o que existe de mais puro. Sabias que até esse lado de cá pudestes iluminar? Porém, tu serás para mim como um raio que me abriu os olhos. Jamais te esquecerei.

            Agora, foge! Se chorares essas tuas lágrimas brilharão aqui para sempre e irão ofuscar toda ilusão.

            Abaixa-te. Esvazia-te. Vai!

            O teu amor me feriu. Trabalharei incansavelmente para te ver outra vez, talvez consiga com a tua lembrança, com a lembrança da brancura das tuas vestes. Talvez consiga se segurar forte essas pérolas que deixaste para mim.

            Não tenhas medo, jovem! Não tenhas medo. Não te ilude com os encantos da minha geração, ela não é feliz. São todos velhos e orgulhosos como eu. Eles não têm paixão, não têm vigor. Só têm opulência. Esses prédios enormes e esse poder vil foram os sonhos dos da minha era, mas foram todos despedidos de mãos vazias e não encontraram a liberdade.

            Vai, eu grito! Vai! A busca da verdade e do amor te consuma. Vai! Vai cheio de esperança. Perde. Não tenhas medo do sofrimento, pois ele não pode te vencer. Ele não pode contigo, pois tu estás vestido de branco. Se o enfrentares ele será teu amigo e tu serás grato. Perde, jovem. Perde, jovem. Perde aqui e vencerás onde queres ir. Esvazia-te aqui e serás livre lá onde anseias ir.

 

 

- Com lágrimas te pergunto, então. Por que não vens? O que te impede? Acaso estás perdido? Guiar-te-ei, então. Iremos juntos por esta passagem. Tua velhice não pode te escravizar. E quantas vezes foste mais jovem que eu! Teu saber mais profundo foi o amor que senti, foi teu cuidado. Sabes que posso ir só e para isso tenho coragem. Mas sem ti não seria o mesmo, pois não és um velho, és meu amigo. Se vens comigo serás feliz, pois aqui não há felicidade. Vem. Abaixa-te antes que se feche esta passagem. Antes que se aproxime o mal. Venha! Não voltes. Não te deixes iludir.

 

- Vai, jovem! Achar-te-ei onde estiveres, mas agora é tua vez de veres a verdade e a ela te apresentares sozinho. O amor te soerguerá na tua solidão e a esperança firmará os teus passos enquanto a fé te abrirá todos os caminhos.

            Ficarei e lutarei. Procurarei a passagem que me pertence e te acharei. Acredite, jovem: o tempo serve ao amor.  O amor já é o Senhor do tempo e o tempo em que vivemos é o tempo de misericórdia. Vai! Coragem!




Escrito por Kalil Werner às 00h36
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Antes do Escurecer.

 

 


Poderia começar o dia com o melhor dos humores, sorrindo e cantando. Poderia fazer coisas que normalmente não faço por escolher outras, as ordinárias. O dia poderia, também, oferecer-me o que normalmente não o faz: um sol mais brilhante, mais penetrante. Acordaria diferente toda vez que a voz do amor me chamasse todas as manhãs – poderia ser melhor.

 

         Acontece que o amanhecer não é uma escolha, mas lidar com ele sim. Portanto, já se amanhece na luta, na peleja de um dia melhor, melhor que o anterior. A escolha que se faz ao se abrir os olhos e tomar consciência de si seria a verdade, o ideal. Por isso a peleja, pois quem não gostaria de se ver numa terra de fantasia?

 

         Seria importante não amolecer no páreo. Estou na constância da luta pela vitória, por um amanhecer melhor do que o anterior. Vivendo o ordinário da vida para torná-la extraordinária e bem diferente da de todos os homens.

 

         Antes do escurecer - peço a Deus - terei vivido o dia ordinariamente diferente. Não sei se terei acordado sorrindo ou cantando com o melhor dos humores. Sei que antes do escurecer, não me arrependerei de ter vivido este dia como o último, como o dia da colheita. Antes do escurecer já sou feliz e acordarei um dia em pleno gozo, com o melhor dos humores, o melhor dos sorrisos, o melhor dos cânticos, pois acordarei ouvindo a voz da verdade, o melhor do amor, eternamente. Tudo isso antes do escurecer.

 




Escrito por Kalil Werner às 20h50
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Para ser lido à Noite.

 


A noite passada não foi como esta noite. Nesta noite, o sol clareia como o dia. Se fosse consolo, poderia dizer que irradia uma profunda alegria. Não. Definitivamente a noite passada não foi como esta noite.

         Para entender o que digo não precisa pensar muito; não falo difícil. Na noite passada consegui dormir, consegui pôr minha cabeça sobre o travesseiro e deixar que os sinos do sono me embalassem. Mas, nesta noite, os meus olhos não se fecham, entretanto contemplam o sonho da minha alma como se fosse pleno dia. E ficam pululando em mim, ao meu redor (sobre o travesseiro, na cama e no quarto todo) os desejos da minha vida feliz. Feliz. Esta é uma noite feliz.

         É fácil de entender. Porque hoje, nesta noite, eu sou feliz. E tudo o que vivi ao experimentar a felicidade já não cabe mais em mim. Por isso esses desejos e essa felicidade ficam fervilhando e saindo de mim, não cabem mais. Tomaram vida própria e clareiam a noite como se fosse dia.

         Talvez ninguém entenda. Mas não falo difícil. As crianças entendem e podem experimentar também tudo isso. Então, se um dia você vir alguma delas sorrindo e dizendo que é feliz, pode ser que no meio da noite tenha encontrado um desses meus “noite-dia” e exclame:

 

         - A noite passada não foi como esta noite. – e passe a noite a sorrir.

 


 



Escrito por Kalil Werner às 11h05
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Numa maré constante eu tenho estado. Numa descoberta importante para mim onde não podem ser esgotadas as possibilidades de uma vida excelente. Talvez seja uma constância psicológica ( é até meio estranho estar falando de constância) ou uma linguagem diferente que eu esteja aprendendo a interpretar no meu interior. Um sentido todo novo de observar o mundo e a mim mesmo, mas, claro, a realidade, os pés no chão, ainda me assistem. Muito bem assistido, por assim dizer.

No entanto, a preocupação de não me tornar um hipócrita continua, pois isso é muito fácil e tentador. Esse meu estado de maré constante vai durar pouco. Prefiro minha vida mais agitada e com escolhas difíceis, com possibilidades de uma vida excelente.

Cabeça fria. Ainda está por vir a série que esse mar agitado escondeu.




Escrito por Kalil Werner às 18h28
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Nas palavras a Verdade

 


 

Ando a escrever e a me desencontrar nessas palavras. Elas ficam escorregando do meu pensamento e das minhas entranhas. E o gosto pela verdade me invade e me envolve, mas não sei onde ela está. Procurei nas palavras que ficam no papel. Procurei nas que constroem meu pensamento, mas nada.

Espero poder compreender alguma coisa sobre mim e sobre o mundo um dia. No dia em que reler todas essas coisas, no dia em que fizer uma releitura da minha própria história. Talvez, assim, eu possa saber um pouco do amor e da verdade (se essas palavras me contarem). Talvez eu tenha aprendido algo.

 




Escrito por Kalil Werner às 12h04
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Afirmo que não sei realmente que fazer para o amanhã. Uma incógnita maluca que rodeia e atormenta!

Uma pitada de normalidade poderia fazer bem.

 




Escrito por Kalil Werner às 00h30
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Uma nova Maré


 

Tudo passa.

Nova temporada começa.

E eu aqui desejo a todos uma nova maré de coisas boas.

 

Feliz Ano Novo.

 




Escrito por Kalil Werner às 10h10
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Muito me consola saber

 

 

 

Muito me consola saber que a aparência das coisas não me atrai. Muito me satisfaz uma centelha de esperança no meio de tanta dúvida. Essa confusão do mundo não pode vencer meu desejo de ir além. Não pode e não vai. Não posso ceder e me corromper. É natureza minha essa imposição da minha existência em promover uma vida ininterrupta. Uma constante inconstância, inquietação, acerca de tudo e de mim mesmo.

Não acho que tenha solução, não acho também que seja preciso. Sofro. Sim, sofro. Mas quem não sofre, quem não morre, quem não dorme e não acorda, quem não sonha?

 

Talvez se não houvesse tanta dúvida e inquietação minha vida fosse estática, fantasia. Como uma noite sem estrelas. Por isso, afirmo: muito me consola saber que vivo uma noite com estrelas que não me deixa ficar encantado com o que não é encanto e que não me deixa parar nas dúvidas que jamais saberei responder.



Escrito por Kalil Werner às 00h17
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Na primavera eu saio

 

 


Hoje sou como um conto que não quer deixar de existir. Sou uma tinta num papel que nunca vai descolorir. Insisto em não deixar se esvair em mim o mais puro desejo do sem-fim.

 

Vivo no sonho do dia-a-dia permeado de ânsia, de peleja. Não abandono meu caráter, minha franqueza, tão fácil.

 

Mas na primavera eu saio. Não vou precisar de mais nada. O sem-fim terá chegado, terá me conquistado. Na primavera não haverá peleja para se chegar lá. A primavera é tempo de alegria: eu saio.

 

Meu quarto, afinal, está muito pequeno para mim e as janelas não estão revelando aquilo que poderiam. Então, quando a primavera chegar eu saio pra te ver.




Escrito por Kalil Werner às 01h52
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O pior escravo é aquele que não sabe que é escravo, pois nunca terá esperança de liberdade.

 




Escrito por Kalil Werner às 23h58
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A miserável história de mim

 


Um simples “?” já poderia dizer tudo ou, pelo menos, muito.

 

Vou tentar conviver comigo esses dias que demoram feito dias de sombra. Vou tentar esquecer um pouco que meus pensamentos me apavoram. Vou tentar conviver mais um dia dentro de mim.

 

Vou tentar não contar as horas e abraçar o tempo como se fosse meu amigo. Vou tentar ser aquilo que sou. Vou tentar que a miséria do meu ser experimente a vida sem obstáculos. Vou tentar ser livre.

 

Vou viver feliz, sem reclamar, assim, tentando achar a fórmula do ‘ser - agora’. Poderia a minha miséria ser minha grande riqueza?

 

Vou tentar como sempre tentei. Mas o agora me pertence, porque dele sei extrair riquezas.




Escrito por Kalil Werner às 00h28
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Nada como o agora

 

 


Posso pensar em muitas coisas ao mesmo tempo. Acerca dos meus planos, do meu querer; sobre minha paz e também sobre tudo o que pode me proporcionar o prazer. É engraçado saber que o meu pensamento me leva a fazer coisas incríveis quando é exteriorizado por minha vontade e ação. Mais incrível, porém, é ver que na fraqueza eles (os pensamentos) também se sobressaem e se transformam em ação.

 

O dia-a-dia, então, é uma prova, um certame. Naquilo que me entendo ser realizo, invento, crio, aponto para o que ainda não se vê, entretanto o futuro é mais incerto do que tudo! E o agora é o quê?

 

A beleza de existir se confronta com a desilusão da fraqueza, meu Deus! - Quem agüenta? - Daí o instante, o agora, ser tão confuso. Confunde o ser. Porque pergunto qual a razão de ser: ser alto em meus pensamentos (um fantasioso ou visionário), ser realista e perder-me nesse fosso do mundo, ser o mais fraco e esperar que minha fraqueza seja completada por alguém?

 

Nada como o agora, o confuso agora, que embaralha meus pensamentos e minhas palavras. Nada como o agora que me faz perder e ganhar.

 

 

Pensar... Pensar... Pensar...

 




Escrito por Kalil Werner às 00h26
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Uma onda de calor


         Nada que eu queira me traria mais alegria do que uma onda de calor. Gostaria que ela fosse inesquecível e viesse quando não esperasse. Far-me-ia um favor se derretesse meu gelo e meu ódio, se quando não esperasse me preparasse para uma vida diferente. Sinto os ares da mudança, uma nova fase tal qual a vinda de uma nova maré. O que não sinto e não sei é em quê isso tudo vai dar.

         Sinto que está perto e que a meteorologia não poderá identificar sua chegada, pois ela é mansa. Virá como vem um sonho bom que não acorda.

         Uma onda de calor hoje em dia é difícil, sei disso. Ninguém sai de cima do seu gelo, não querem que se derreta. Atrasam essa chegada há muito tempo. Aí é onde entra minha necessidade, pois já estou cansado desse gelo que impede o desenvolvimento da vida, da minha vida. Uma tela que não deixa que eu veja a verdade, uma névoa.

         Uma onda de calor... Forjando uma nova etapa... Esmerando minha alegria... Dedicando-se a não deixar que o tempo engula o que ainda não vivi e que preciso viver. Não quero saber quando; far-me-ia um favor se derretesse meu gelo e meu ódio e rompesse minha surdez.

 


 



Escrito por Kalil Werner às 00h07
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