Adentra.
Adentra, ó minh’alma, na abertura do mistério
Já pousa o pardal ao crepúsculo
Não fica mais aqui
Tudo já passou
Invade, ó alma, o que se considera Desconhecido
Já emergem os peixes para respirar
Não tenhas medo algum
Hora de ir
Ó alma, sabes que não é esta tua pátria
O teu repouso ainda está por vir
Mas lembra-te de amar
Amar sem fim
Sofre o pouco que tens que sofrer
Une-te Àquele que já sofreu tudo
Até o número dos pardais Ele conhece
Teu dia virá
Ó alma, por que choras?
Essas lágrimas são pérolas no tempo
Enfeitam esse mundo cinza
Chora, então
Aceita a dor de não pertencer
Aceita a ânsia de ser amor
Vive cada dia com esperança
Teu dia virá
Ó alma, ouve a voz que se ouve no segredo
Ele te recompensará em teus dias
Chora, então, deixa as pérolas caírem
Ele as enxugará
Abandona o que não te serve
Deixa tua túnica e sandálias
Leva a tua vida, a tua história
Hora de ir
As feridas brilharão mais que as estrelas
Não haverá escuridão
Alma, fica tranqüila
Ele dará a mão
A última onda irá espraiar-se na areia
Tu verás a face do amor
O perdão é teu
Teu dia virá
Escrito por Kalil Werner às 02h25
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