Menino, deverias chorar nesta noite.
Deverias não ter medo do escuro e da solidão que te apavora. Lembra-te daqueles dias onde as ondas tocavam teus pés e pulavas de alegria, o sol não se punha para ti. Até a noite mais densa era cheia de pontos a iluminarem teu coração. Se choras derramas a tua alma em mãos de amigos ou de amores, essas pérolas que podem cair dos teus olhos são o tesouro mais caro. Quem as pega sabe, ao olhar dentro delas, o teu passado e o teu futuro, mas o agora te pertence.
Menino, deverias chorar nesta noite.
Deverias com tuas lágirmas, com tuas pérolas, com teu passado e teu futuro, inundar este mundo que espera o teu choro. Não fiques alheio, pois esta terra sem teu terno olhar lacrimejado não pode existir. Deixa tua dor sair e renovar cada ser. Se não singras este mar de solidão sozinho, não chegarás à margem e sem margem não beijarás o chão.
Menino, ouve a tua voz interior que fala.
Ouve que estas lágrimas podem te afogar. Derrama pelo mundo da janela do teu quarto lágrima por lágrima. Lembra-te da areia da praia e da água do mar e do sol tocando tua pele, clareando teus cabelos loiros e reluzindo nos teus olhos o brilho mais vivo.
Menino, deixa que as ondas embalem teu coração nesta noite.
E quando repousares em teu travesseiro tua cabeça pesada, quando fechares teus olhos ardendo ainda de dor, saberás que a liberdade te visitou. Deixarei beijos no teu peito machucado e na tua face orvalhada, passarei a mão nos teus cabelos e dormirás em paz.