Pensamento Marginal
  A indescritível visão da Liberdade.

 


 

O trôpego balanço do jovem, que cambaleava feito um bêbado, caminhando pelas ruas úmidas, não passava de uma visão embaçada do seu próprio coração. Pudesse ele enxergar dentro de si que as ruas e seu balanço poderia ser visão antiga carregada pela relembrança do seu passado.

Do alto de uma torre que cintilava o sol também já foi à procura do seu encontro, à procura da visão da liberdade. Queria ele liberdade. A liberdade de tudo e de todos. Queria mesmo nadar no ar e mergulhar no universo sem fim. Daí seu passo trôpego e sua vida sôfrega que não se encontrava com o nascer do sol. Comparava-se a prisioneiros em celas, a leões de circo dominados pelas chicotadas e banquinhos de adestramento; estivesse mais para fantoche.

Seus sonhos tomavam lugar de astronautas, de caubóis com seus revólveres, Dom Juan e suas histórias fantásticas com mulheres exóticas. Num piscar de olhos podia mergulhar em Fernando de Noronha e emergir no Hawai. Seus sonhos eram quase a visão da liberdade que jamais acontecera realmente. E num instante dava-se conta de que estava a limpar o chão e a torcer toalhas úmidas de um banheiro fedorento.  E mais uma vez voltava trôpego, passando de bar em bar, cercado de demônios a lhe atormentarem a alma.

O jovem encontrava-se no curral do mundo onde trouxas são os que não querem participar da ilusão oferecida. E achava que andando trôpego e cambaleando feito bêbado iria realmente ter a visão da liberdade.

Mas que o desânimo não te abata! Essa história não acabou. Ele ainda foi além. Não se deu por vencido facilmente, pois a sorte abriu-lhe uma portinhola. Então, não perdeu tempo. Ali, naquela brecha do futuro, pôde contemplar uma cadeira formosa numa sala, no prédio mais alto, no topo do mundo. Sua caneta de brilhantes já não deixava que se lembrasse dos panos úmidos do banheiro fedorento. O Hawaí já fora seu endereço certo há anos, mas agora seu jato era seu lar, e o mundo estava aos seus pés. No último andar, no prédio mais alto, tudo podia.

Ele queria a liberdade, porém essa visão nunca contemplou. Sua cadeira amarrava-lhe a alma e os tormentos e demônios voltaram. Agora era um rico trôpego, sôfrego, a cambalear feito um bêbado pelo mármore seco e os olhos molhados pela tristeza. Nunca teve a visão da liberdade.

Não quis ouvir que a liberdade não é a fuga de tudo, mas ir ao encontro do tudo. Esqueceu-se simplesmente de acolher a Graça em vez de lançar-se à sorte. Então, não deixou de ser leão, nunca nadou no ar, o astronauta perdeu-se na ilusão, seu passado bêbado e trôpego tornou-se lembrança e realidade no futuro; jamais descreveu a visão da liberdade. Foi-se o jovem num sonho vão que o prendeu na sua cadeira, no prédio mais alto. Enquanto a liberdade lhe gritou por toda a vida: “Não tenhas medo, eu estou aqui”.



Escrito por Kalil Werner às 11h34
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  Um novo sonho é despertado da realidade para sempre.

 

 


A liga, que deixava tudo em harmonia, foi rompida. E um novo sonho é despertado da realidade para sempre. A coisa que era uma, agora duas. Para depois ser uma novamente. E o universo continua com suas nebulosas e mistérios; vida infinita e morte iminente para os que se arriscam; treva e luz; sonho e realidade. As estrelas a brilhar ao contemplarem a vida aqui na terra - e o oceano a rugir (num grito roco sem fim) uma sombra de sua mesquinhez.

            Assim vou levando uma vida indefinida, mas gostosa e cheia de surpresas. É bastante intensa e única. A vida, o viver, é uma graça. Estou fascinado por este dom. Minha vida é uma maravilha, "que maravilha sou eu".

 





Escrito por Kalil Werner às 17h54
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Minhas lágrimas escorrem nas águas do oceano e são indescritivelmente negras.

Não se misturam, mas absorvem e não mudam de tamanho.

Minhas lágrimas têm caráter que só eu sei decifrar, talvez ninguém consiga ver. Eu vejo.

Confundem-se com a profundidade do mar e com seu peso, não sei se o mar agüentará tanto tempo elas ali.

Meu coração é um mar de sangue que se consome em um amor que não pode acabar.

Não há óbices para ele.

Essas lágrimas estão para se transformar em luz.




Escrito por Kalil Werner às 10h55
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