Gostaria que um dia a poesia salvasse o mundo

Gostaria que um dia a poesia salvasse o mundo. Poderia, pelo menos, ser reconhecida como beleza pura, como expressão do que há de mais profundo. Aí ela se esconderia atrás do que é absoluto, do próprio Deus; revelá-lo-ia.
Há poesia na alma dos homens. Há eternidade – alguém poderia gritar isso? – Mas sei que é somente um pálido reflexo do que há de infinito dentro de nós. Talvez um dia possa abrir os lábios e declamar a poesia da verdade, do amor, da justiça, da felicidade, da amizade; talvez a poesia seja apenas para quando houver total libertação.
Não dá pra sentir o ritmo? O movimento? Um cavalgar, talvez um ondejar? A vida segue, caminhando, de mãos dadas com o Eterno e ninguém vê.
Gostaria que a poesia redimisse o mundo. Se a beleza nos conquistasse de uma só vez! Não poderíamos, então, ficar fingindo que não vemos o mal, o pecado, o não-amor! E o mundo seria melhor, muito melhor. Mas ninguém recebe a poesia.
Alguém poderia gritar de cima dos telhados que a poesia é alguém? Que é feita de Palavra e que vive em nós?
É preciso recitar a poesia para sentir. É preciso se identificar com ela para saber o que ela nos diz. Há uma vida escondida por detrás e é sem fim.
As palavras cantam
Dançam, também
As palavras constroem
Movem, também
A palavra vive
Redime qualquer alguém
A poesia eleva
Revela o que é profundo
Gostaria, melhor dizendo, que ela
Ajudasse a salvar o mundo
Escrito por Kalil Werner às 16h39
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