Na primavera eu saio
Hoje sou como um conto que não quer deixar de existir. Sou uma tinta num papel que nunca vai descolorir. Insisto em não deixar se esvair em mim o mais puro desejo do sem-fim.
Vivo no sonho do dia-a-dia permeado de ânsia, de peleja. Não abandono meu caráter, minha franqueza, tão fácil.
Mas na primavera eu saio. Não vou precisar de mais nada. O sem-fim terá chegado, terá me conquistado. Na primavera não haverá peleja para se chegar lá. A primavera é tempo de alegria: eu saio.
Meu quarto, afinal, está muito pequeno para mim e as janelas não estão revelando aquilo que poderiam. Então, quando a primavera chegar eu saio pra te ver.
Escrito por Kalil Werner às 02h52
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